Histórico

A PNS é uma técnica que foi desenvolvida seguindo os princípios e conceitos da POSTUROLOGIA CLINICA, neologismo criado por Pierre Marie Gagey para traduzir em um contexto integrado os estudos sobre as reações de tônus feitos desde o século XIX, criando um exame clinico postural. A posturologia clinica teve uma contribuição no desenvolvimento de pesquisas clinicas com o médico Bernard Weber que engrandeceu o conhecimento através da publicação de artigos e livros.

Os estudos do tonus

Em 1837, Charles Bell (o mesmo que deu nome à paralisia facial) postulou: “Como um homem mantém uma postura ereta ou inclinada contra o vento que sopra contra ele? É evidente que ele possui um sentido pelo qual ele conhece a inclinação de seu corpo e que possui a aptidão de se reajustar e corrigir qualquer desvio de sua vertical”. Na época os fisiologistas buscavam um sentido que controlava o equilíbrio, mas acabaram descobrindo vários...os olhos, o vestíbulo, a sensibilidade dos membros inferiores, a oculomotricidade e o sentido muscular, que é a propriocepção.

Jean Bernard Baron, oftalmolgista, nos anos 50 fez estudos sobre a oculomotricidade e o sistema postural verificou que este sistema pode ser considerado um sistema não-linear, ou seja, a intensidade do estimulo é inversamente proporcional à resposta apresentada a este estimulo. Em um estudo com peixes, ele verificou que quando havia um desvio do eixo ocular menor que 4 graus, uma assimetria postural era vista, o peixe nadava inclinado e não era capaz de nadar em linha reta. Se o desvio era maior que 4 graus nenhuma assimetria era observada. O sistema vestibular, mais especificamente os canais semicirculares possuem limiares de sensibilidade.

Eles são sensíveis às acelerações angulares mas não a todos os tipos de aceleração. Varios estudos analisaram estes limiares e podemos fazer uma conclusão que o sistema vestibular não se ativa dentro das oscilações normais de um individuo. Quando estamos em pé, as oscilações em pessoas normais têm uma área de 100 mm2, e o sistema vestibular é ativado em movimentos a partir de 2000 mm2. Mas este sistema funcionando normalmente auxilia na percepção das oscilações posturais, e esta percepção é feita através dos otolitos. Em relação à propriocepção, os fusos neuromusculares têm uma função importante, pois as oscilações geram pequenos estiramentos musculares que correspondem a um aumento importante da resposta dos fusos. A resposta de ativação de um fuso neuromuscular é feita quando há um estiramento de 1 décimo de milímetro. A informação proprioceptiva muscular no sistema postural fino é discriminativa.

Mas como todas estas informações são administradas?

Uma integração é necessária para receber todas as informações dos órgãos sensoriais e motores e definir o que deve ser feito para se adaptar a elas. A melhor explicação encontrada por Pierre Marie Gagey, veio da engenharia, onde um sistema mestre-escravo é utilizado para essa explicação. Temos então as “entradas” do sistema postural, a “saída” do sistema e os estágios do que nomeamos de recepção, integração e reação.

As “entradas” são divididas em 2, a exoentradas que são os olhos, o vestíbulo e os pés que fazer a ligação do homem com o mundo exterior e as endoentradas que são a oculomotricidade, o vestíbulo e a propriocepção, que ajudam a estabilizar o homem A “saída” do sistema são as adaptações que enxergamos como as alterações posturais e as disfunções nos demais sistemas.

Este sistema funciona assim: A todo momento nosso corpo recebe as informações do meio externo e de seu interior e envia estas informações ao "centro de comando" que é o cérebro. No cérebro algumas funções são executadas, a recepção da infomação, a análise da informação e então a decisão do que deve ser feito, e então envia uma resposta ao sistema tonico postural para uma modificação de seu padrão para gerar a estabilidade postural. Isso é o que dá a característica do sistema postural ser um sistema DINÂMICO.

Um exemplo prático: se nos deslocarmos para frente, os "sensores" detectam esse deslocamento para frente e enviam a mensagem para o cérebro. Esta infomação é recebida pelo cérebro e detecta que este deslocamento para frente pode fazer com que a pessoa caia para frente, então envia uma informação para os músculos do corpo para realizar um deslocamento para trás para estabilizar.

Onde a PNS entra nessa história?

Nos anos 80 Philippe Villeneuve, podologo e osteopata, trabalhou junto com Gagey e Weber para aprimorar a posturologia clinica incluindo os conhecimentos da podologia e osteopatia, aprimorando testes clínicos capazes de verificar as assimetrias tônicas posturais e com estudos com palmilhas posturais (que tiveram os primeiros registros através de Bourdiol) com efeitos neurossensoriais, diferentemente dos conceitos mecânicos existentes a muito tempo.

Nos anos 90 Villeneuve em associação com alguns colaboradores desenvolveu uma metodologia de tratamento manual, a partir de uma síntese entre as pesquisas fundamentais em neurociência e a posturologia clinica - a Posturoterapia Neurossensorial – PNS.

A PNS vem em constante desenvolvimento e evolução, sempre atualizada com as publicações em neurociência.

No Brasil, o Instituto Salgado através do coordenador geral, Afonso Salgado, trouxe em 2011 o criador da PNS, Philippe Villeneuve para um curso de aprimoramento interdisciplinar em Posturologia e então a partir de 2012 a formação completa em PNS vem sendo oferecida pelo próprio Instituto Salgado.

Afonso Salgado e Pierre Marie Gagey

Em 2014 na cidade de Londrina, foi sediada a XXI Jornada de Posturologia Clinica, evento da API – Associatio​​n Posturologie International, com a presença de Pierre Marie Gagey e Philippe Villeneuve entre outros palestrantes internacionais e brasileiros. O evento contou com a participação de profissionais do Brasil, Argentina, Paraguai, Portugal e França.

A PNS no Brasil está em expansão, onde profissionais atuam clinicamente com a técnica além de alguns grupos que estão desenvolvendo pesquisas científicas e clinicas na área.